domingo, 18 de julho de 2010

O sonho da vida no campo

Desde que passei a morar no campo tenho encontrado e recebido a visita de muitas pessoas que sonham em fazer o mesmo. Viver no campo envolve uma mítica, um arquétipo, algo de um retorno ao paraíso perdido...Existem aí expectativas, projeções, sonhos e mesmo uma atitude de fuga. Também se tornou um objetivo de grupos espiritualistas ou de pessoas que se preparam para um anunciado fim do mundo. As pioneiras comunidades alternativas buscavam também se estabelecer no campo e hoje as contemporâneas ecovilas propõe o mesmo. Sem falar da população urbana que adquire sua segunda residência para férias e fim de semanas e assim, de certa forma, realiza esse impulso de viver no campo.

Zé Rodrix expressou bem esse desejo universal, quando cantou: "Eu quero uma casa no campo..."
Morar no campo, viver na natureza é sem dúvida algo que as pessoas reconhecem como o verdadeiro viver.
Mas para muitos isso se torna apenas um sonho, ou uma promessa longínqua. Algo que seria o ideal, mas distante da realidade.
Claro que viver na cidade é uma escolha também, muitos assumem isso. Mesmo assim, estar próximo a natureza é algo que quase todo mundo quer...
No entanto, o modelo urbano de vida está em franca expansão, com as grandes cidades chegando nos seus limites de capacidade e civilização.
Querer viver no campo, hoje, é mais do um sonho. É uma questão de coerência com as leis que regem a vida humana, de experimentar alternativas de viver e se realizar, de no mínimo, permitir-se ter a chance de, novamente, poder fazer escolhas.

Para que isso aconteça não como um movimento nostálgico, contestatório ou primitivista, mas sim como um passo adiante, pós-industrial, é preciso olhar o meio rural por um novo olhar. Acredito que uma nova cultura está sendo criada a partir desse olhar. Uma cultura que é tocada pelos novos conceitos de sustentabilidade, que age na internet, que se desenvolve em rede...
E aí, segundo minha visão, não se trata mais de estar no campo cotidianamente, nem ter que sair das cidades, mas de criar novas referências de vida, menos encurraladas pelo consumismo e lógica financeira. Referências que remetam aos ciclos a que estamos submetidos e que resgatem
o sentido de sermos parte do planeta e não seus donos. Mesmo quem não vive ainda e até quem nem viverá no campo pode criar essas referências.

Sei que isso é o que o discurso ecológico prega. Mas eu não creio que precisamos de mais discursos. Precicamos sim de uma escolha.
Não movido por ideologias ou postura politicamente corretas. Mas por prazer e seguindo o impulso da aventura diária, do aprendizado, da descoberta.

2 comentários:

  1. Luiz, acabei de descobrir seu blog...
    Gostei muito do tema "escolhas". Pra mim, poder escolher é o mesmo que exercer a liberdade, que implica ser responsável e assumir uma posição. Não é possível ser livre vivendo "em cima do muro". Vivemos na cidade, apertados entre muros e vizinhos, mas, dentro da minha casa ESCOLHO o infinito, posso plantar e colher, nem que seja tomates em vasos, posso escolher as cores, os cheiros, o aconchego...posso optar em levar uma vida árida como o concreto ao redor, ou encher de vida o espaço que tenho e dar à minha família um lugar pra chamar de casa.

    A forma como vc fala das escolhas me chamou muito a atenção...afinal, é pessoal, tão subjetiva que transcede o espaço físico...não adianta viver no campo, Paraíso para muitos, com a alma presa atrás de portões e grades...

    Um grande abraço!
    Estarei sempre por aqui...

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  2. Voce está certa, Ângela. Ser livre onde quer que seja é a verdadeira liberdade, pois é incondicional. Não dependemos de nada para ser livre, é um estado original.
    Quando relaciono o campo com a liberdade de escolher me refiro a possibilidade de podermos, mesmo na cidade, ter o campo como uma referência. Me encanta poder levar o campo, a natureza dentro de nós e parece que é justamente isso que voce faz no seu espaço e nos seu cotidiano.

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