Zé Rodrix expressou bem esse desejo universal, quando cantou: "Eu quero uma casa no campo..."
Morar no campo, viver na natureza é sem dúvida algo que as pessoas reconhecem como o verdadeiro viver.
Mas para muitos isso se torna apenas um sonho, ou uma promessa longínqua. Algo que seria o ideal, mas distante da realidade.
Claro que viver na cidade é uma escolha também, muitos assumem isso. Mesmo assim, estar próximo a natureza é algo que quase todo mundo quer...
No entanto, o modelo urbano de vida está em franca expansão, com as grandes cidades chegando nos seus limites de capacidade e civilização.
Querer viver no campo, hoje, é mais do um sonho. É uma questão de coerência com as leis que regem a vida humana, de experimentar alternativas de viver e se realizar, de no mínimo, permitir-se ter a chance de, novamente, poder fazer escolhas.
Para que isso aconteça não como um movimento nostálgico, contestatório ou primitivista, mas sim como um passo adiante, pós-industrial, é preciso olhar o meio rural por um novo olhar. Acredito que uma nova cultura está sendo criada a partir desse olhar. Uma cultura que é tocada pelos novos conceitos de sustentabilidade, que age na internet, que se desenvolve em rede...
E aí, segundo minha visão, não se trata mais de estar no campo cotidianamente, nem ter que sair das cidades, mas de criar novas referências de vida, menos encurraladas pelo consumismo e lógica financeira. Referências que remetam aos ciclos a que estamos submetidos e que resgatem
o sentido de sermos parte do planeta e não seus donos. Mesmo quem não vive ainda e até quem nem viverá no campo pode criar essas referências.
Sei que isso é o que o discurso ecológico prega. Mas eu não creio que precisamos de mais discursos. Precicamos sim de uma escolha.
Não movido por ideologias ou postura politicamente corretas. Mas por prazer e seguindo o impulso da aventura diária, do aprendizado, da descoberta.
Luiz, acabei de descobrir seu blog...
ResponderExcluirGostei muito do tema "escolhas". Pra mim, poder escolher é o mesmo que exercer a liberdade, que implica ser responsável e assumir uma posição. Não é possível ser livre vivendo "em cima do muro". Vivemos na cidade, apertados entre muros e vizinhos, mas, dentro da minha casa ESCOLHO o infinito, posso plantar e colher, nem que seja tomates em vasos, posso escolher as cores, os cheiros, o aconchego...posso optar em levar uma vida árida como o concreto ao redor, ou encher de vida o espaço que tenho e dar à minha família um lugar pra chamar de casa.
A forma como vc fala das escolhas me chamou muito a atenção...afinal, é pessoal, tão subjetiva que transcede o espaço físico...não adianta viver no campo, Paraíso para muitos, com a alma presa atrás de portões e grades...
Um grande abraço!
Estarei sempre por aqui...
Voce está certa, Ângela. Ser livre onde quer que seja é a verdadeira liberdade, pois é incondicional. Não dependemos de nada para ser livre, é um estado original.
ResponderExcluirQuando relaciono o campo com a liberdade de escolher me refiro a possibilidade de podermos, mesmo na cidade, ter o campo como uma referência. Me encanta poder levar o campo, a natureza dentro de nós e parece que é justamente isso que voce faz no seu espaço e nos seu cotidiano.