quinta-feira, 29 de julho de 2010

Rumo ao campo.


Helen G. White, luminar do movimento adventista, no começo do século passado, já previa que os ambientes urbanos seriam cada vez mais contaminantes, verdadeiras incubadoras de violência, doenças e desagregação social.
Em seus ensaios, ela descrevia o contraste dessa realidade das urbes com a vida no campo, onde se encontrava paz, tranquilidade e saúde. Ali ela preconizava o cultivo e consumo de alimentos saudáveis, a contemplação da natureza e o desfrute da luz solar, do vento fresco e da água pura como verdadeiras medicinas e cura para o corpo e para a alma.
Visionária, G. White anunciou e preveniu, bem precocemente, para onde a recente modernidade das cidades se dirigia e conclamou a comunidade adventista a se preparar para os tempos conturbados e confusos que viriam.

Hoje não precisa ser nenhum profeta para ver que as cidades estão se tornando inviáveis. Também já não soa tão pueril recomendar as dádivas naturais para ter uma vida saudável. Vivemos um tempo onde não existe dúvida sobre o que cada uma dessas opções oferece.

Quando nos dirigimos ao campo, uma nova dimensão se abre. A vida campestre nos enche de inspiração e vigor. Podemos apreciar o que nos rodeia, sejam árvores, pássaros ou riachos.
Ali, o trabalho passa a ser uma expressão de vida e não um preço a se pagar.
Existe algo no ar que constantemente nos traz a nostalgia e a novidade, a aventura simples do viver.

Não há tempo a se esperar, não existem condições a serem cumpridas para que possamos rumar ao campo. Trata-se apenas de uma permissão que cada um pode se dar. Não se trata de algo fácil, mas extremamente gratificante. Também não se pode comparar com um fim de semana de lazer. Dirigir-se ao campo significa abrir espaços de tempo, adotar novos hábitos. Ao resgatarmos nossa conexão com a Natureza perdermos a velocidade inerente do ritmo urbano e passamos a respirar com os ciclos originais daonde viemos.

Rumar ao campo pode ser uma oportunidade de encontro com o que temos de melhor em nós. Manter esse rumo, esteja você onde estiver, pode deixar seus pés bem fincados no planeta, seus olhos firmes no céu infinito.
Viver no campo é mais do que estar lá todos os dias. É saber, todos os dias, que o campo está lá...





2 comentários:

  1. Luiz, tenho certeza de diferença que existe entre o tempo na cidade e o tempo no campo. Aqui, na cidade, lutamos contra o tempo, como não conseguimos vencê-lo, vem o cansaço e a frustração. No campo, existe respeito ao tempo, respeito ao clima, respeito à natureza humana. Quando o corpo não aguenta, o homem descansa. Quando a chuva cai, o homem não acha que ela esteja atrapalhando, apenas a respeita e deixa que caia, sem culpar-se, sem esbravejar...
    Infelizmente, nos grandes centros, o último a dar a sua opinião é o planeta e suas expressões. O rio se cala pra avenida roubar o seu curso, as árvores se calam pros prédios nascerem...
    Não me esqueço da frase de um escocês que conheci qdo ele visitava SP. Sobre o rio Tietê, ele disse que nós jogávamos fezes na caixa d'água...pura verdade...infeliz verdade..

    Abraço e continue escrevendo...seu estilo é muito agradável..

    ResponderExcluir
  2. Grato, Ângela.
    Agradeço o retorno e as suas palavras que tão bem complementam o que tento dizer aqui.
    Nossa cultura atual está adormecida, esse é o fato.
    Eu li, há um tempo atrás, em algum lugar, um velho dizer indígena sobre esse despertar:
    "Quando a última árvore morrer e o último rio secar, o homem branco vai perceber que não pode comer dinheiro".

    ResponderExcluir